No último fim de semana visitei o FliMinas, o Festival Literário Internacional de Minas Gerais, e aproveitei para visitar as sessões de livros infantis.
Todos aqueles títulos me remeteram à minha infância, quando eu tinha de 9 a 10 anos e li um livro que nunca esqueci: Na velha casa da praia, de Camila Cerqueira César.
A sinopse traz as aventuras de dois irmãos gêmeos que estão passando as férias na casa de praia da família e juntamente com sua babá, terão que desvendar um mistério “sobrenatural”.
O livro é curto, tem somente 24 páginas, divididas entre texto e ilustrações. Mesmo assim, foi um dos melhores livros que li quando era criança e tenho um carinho muito especial por esta obra.
Sem querer “querendo” dar spoilers, a história se passa em uma velha casa de praia, como o título sugere.
Se a memória não estiver me traindo, os gêmeos se chamavam Juca e Zeca (ou Joca e Juca) e a babá era Ceiça. Caso eu tenha errado algum nome, fiquem à vontade para me corrigir nos comentários.
Durante o passeio, ela conta para os irmãos o conto do lobisomem que vivia por ali e aterrorizava a população nas noites de lua cheia. É claro que os meninos ficam impressionados com o “causo”.
Mais adiante na praia, eles encontram alguns caramujos e a Ceiça fala para os meninos que se eles forem recolhidos e colocados próximos ao fogão, o calor fará com que as lesmas deixem as cascas. Assim elas podem ser usadas para outras coisas.
Após uma tarde de brincadeiras e coleta de caramujos, os irmãos voltam para a casa. Após banho e jantar, os pais saem para um compromisso e deixam somente as crianças com a babá em casa.
Após o banho, Ceiça está em seu quarto colocando bobs nos cabelos enquanto os gêmeos brincam. Porém, lá fora, está se formando uma tempestade.
Logo que começa a chover, a luz acaba, fazendo com que todos se assustem, obrigando Ceiça a recorrer a velas para iluminar a casa. E é neste momento que o suspense e o medo começam.
Os três estão no quarto de Ceiça, à luz de velas, quando começam a ouvir alguns barulhos de arranhões vindos da cozinha. Aos poucos o barulho vai aumentando e seguindo rumo ao quarto de Ceiça.
Para completar, todos lembram da história do lobisomem e até a própria Ceiça começa a acreditar na lenda. De repente, eles veem um reflexo como se fossem duas orelhas pontudas refletidas na parede pela luz da vela e a dúvida acaba ali: é o lobisomem.
Ceiça e os meninos se escondem embaixo da cama e quando a sombra finalmente chega na porta do quarto, um dos meninos toma coragem para ver o que era e acaba desvendando o mistério.
Os caramujos acordaram em suas casas com o calor do fogão e começaram a se arrastar pelo assoalho, dando a impressão de que eram arranhões. Suas anteninhas, projetadas na parede pela luz da vela, pareciam orelhas pontudas.
Todos riram da aventura, a luz retornou, os pais chegaram e tudo acabou bem.
A princípio, a historinha parece boba, mas para uma criança que sempre curtiu o terror e que crescia nos anos 80, o livro era um prato cheio.
Vale lembrar que, apesar de assistir a alguns filmes de terror naquela época, nem sempre eu tinha permissão para ver todos os que queria. Para mim, Na velha casa da praia foi praticamente a porta de entrada para a literatura de terror, ainda mais porque li o livro como atividade escolar.
O livro tem mistério, lendas, aventura e um toque de terror com um dos meus personagens preferidos, que é o lobisomem.
O curioso é que contei essa história ao meu sobrinho quando ele tinha cinco anos. Enquanto eu me preocupava com o lobisomem quando era criança, a preocupação dele era outra: esconder-se debaixo da cama porque devia haver poeira ali.
Essa diferença mostra como cada geração vive seus próprios medos e fascínios. Se eu cresci ouvindo lendas e histórias de assombração, as crianças de hoje convivem com creepypastas, vídeos e narrativas digitais. O formato muda, mas o gosto pelo mistério continua existindo.
Não é que eles estejam perdendo coisas boas que fazíamos antigamente, mas sim que evoluíram no acesso à informação. E não podemos esquecer que atualmente eles também consomem conteúdos como as famosas creepypastas.
Tudo é questão de época. Minha mãe contava que quando ela era menina e morava na zona rural sem acesso à energia elétrica, alguns vizinhos que não sabiam ler compravam livretos e folhetins que continham contos nas bancas da cidade e traziam para que minha avó, que foi professora, lesse para eles ao final de um dia de trabalho.
Eu já tive acesso a filmes, literatura e contos dos mais velhos; a nova geração tem acesso à internet. E está tudo bem. Cada um vivendo a sua época e aproveitando ao máximo. Com certeza, os filhos do meu sobrinho já vão consumir conteúdos de outra maneira e ele se lembrará de quando assistia canais do YouTube sobre creepypastas e outras lendas atuais.
Mas voltando ao livro, procurei um exemplar para comprar, porém só encontrei um anúncio na Amazon por um valor muito acima do normal.
Quem tiver o livro ou conhecer profundamente esta obra, deixe nos comentários se acertei alguns detalhes da história e o nome dos personagens.
Agora, quem teve uma experiência gostosa com o mistério e o suspense com Na velha casa da praia, comente aí para que eu saiba que não era a única viciada em terror desde a infância.
Até o próximo post!

